segunda-feira, 30 de julho de 2012

RASTROS

Rastro teus olhos nos meus e caminho.
Me desalinho na direção do tempo,
coalhando a ilusão dos instantes
por um mero momento,
rastejando pelas tardes
feito serpente de Eva viva.

Rubro o teu corpo no meu e singro.
Velejando em rio e mar,
molhando o tom natural das cores
dos destinos que eu sigo, sem me afogar,
dançando pelas frestas dessas manhãs,
como quem recebe a semente de Adão e sente.

Resta tua boca colada na minha,
Os teus olhos morando nos meus,
teu passo marcando os meus passos,
meus passos marcando os teus.

terça-feira, 24 de julho de 2012

SOBRE A PEDRA E O SAL


Tenho que chorar.
Minhas lágrimas de pó agora
se infiltram em meus olhos
desejosos de não responder a dor,
mas minha voz trêmula
não esconde o sal que rega minhas retinas.
Tenho que chorar.
Deixar que escorram
meus sentimentos mais odiosos,
minha vontade de que morram
todos aqueles que não me ouvem.
Tenho que chorar.
As lágrimas escorrem como pedras
e eu me entrego a elas.
como alguém que morre.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

DE OLHOS FECHADOS (Para Hugo)




Você me veste
como segunda pele,
aquece poros
acende pelos.

Você me despe
com a destreza
dos seus dedos
e desliza nu
sobre esses segredos.